25 de fevereiro de 2003

A IDADE DA INOCÊNCIA
Parece haver uma unanimidade (pelo menos em Lx) sobre a idade máxima, antes da mínima (que são os 65 anos), para se utilizar os transportes públicos. É de comum acordo que toda a gente anda de carro. Alega-se que os autocarros passam quando querem, que ainda sobrevive uma raça de adiposos que apalpa impunemente tudo o que tem saias, ainda que tenha calças, entre várias outras queixas. Pois eu, que teimo em estacionar o carro à porta durante dias e dias (devo estar a quebrar uma lei qualquer) e andar de transportes públicos venho aqui declarar que... é VERDADE. Só mesmo alguém tão teimoso (não mencionando uma série de provações que me endureceram o coração e a sola dos pés) é que insiste em esperar 45 minutos por um autocarro que deveria passar (escrito no horário da paragem) de 11m em 11 m. Ou que engole a vontade de soltar o pior que há em si, quando vê arrancar ao longe, da paragem inicial, o autocarro que já lá está parado há muito tempo e que falta assim a dois turnos. A cara de gozo do motorista deixa de nos irritar com o tempo. Afinal, eles estão ocupados a pensar nos aumentos salariais que vão exigir ao Pai-governo, na próxima (e sempre breve) greve. De facto, já não tenho idade para a Carris.

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